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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Torta Quente de Alface

Torta Quente de Alface: uma pedida maravilhosa para o carnaval, não? Prática de fazer e ainda mais de comer para quem está de ressaca. Foi pensando nestes dois aspectos que achei que seria uma receitinha perfeita para os foliões.
Vi esta torta num almoço que fui há algum tempo. Servia de acompanhamento a uma deliciosa picanha. A cozinheira me disse como fazia e peguei a receita no Mais Você.
Da primeira vez que fiz não ficou muito boa, pois usei dois pães de forma, conforme mandava a receita. Da segunda vez, decidi colocar um pão somente e aumentar 100g de presunto. Ficou excelente, muito gostosa mesmo. Faça bom proveito!
Um carnaval maravilhoso para vocês. Beijocas, Laura Lucia
Ingredientes *Xícara: 190ml *Medidas rasas, salvo exceções explícitas
1. 1 de pacote de pão de forma sem casca picado (400g)
2. 400g de mussarela fatiada e cortada em cubinhos
3. 300g de queijo prato fatiado e cortado em cubinhos
4. 400g de presunto fatiado e cortado em cubinhos
5. 1 pé de alface crespa cortada em tirinhas
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6. 200g de maionese
7. 1 lata de creme de leite com soro
8. 200ml de leite
9. 1 colher de chá de noz-moscada
10. sal a gosto (não usei)
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11. 150g de queijo parmesão para ralar no ralo grosso (comprei já ralado)
12. ¼ de xícara de chá de farinha de rosca (25g)
13. azeite para regar
14. 6 rodelas de tomate para decorar
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Preparo
1. Pique o pão, a mussarela e o presunto. Corte a alface em tiras não muito finas. Ponha tudo numa tigela bem grande ou numa bacia plástica. RESERVE.
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2. Rale o parmesão no ralo grosso e misture com a farinha de rosca. RESERVE.
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3. Acenda o forno a 235º.
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4. Unte com manteiga e polvilhe com farinha de rosca um marinex retangular grande de 35x22x4cm.
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5. Misture os ingredientes reservados na etapa 1 do preparo. Acrescente os ingredientes 6 a 9 e amasse bem com as mãos até ficar tudo bem unido e não ter mais pedaços de pão inteiros. Acerte o sal.
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6. Despeje no marinex, regularize a superfície inicialmente com as mãos e depois com uma colher; polvilhe com a mistura de parmesão ralado e farinha de rosca. Regue com azeite e decore com 6 rodelas de tomate. Leve ao forno para gratinar por aproximadamente 35 minutos. Sirva 10 minutinhos após sair do forno se preferir cortar em fatias, pois quente ela se desmancha muito. É maravilhosa como prato único para lanche ou como acompanhamento para carnes.
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Obs. 1: O queijo parmesão não gratinou. Na foto, ficou parecendo batata palha. Acho que foi porque comprei já ralado, não sendo portanto de boa qualidade.
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Dica: você pode fazer só meia receita e colocar a torta num marinex retangular.
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Obs. 2: Ao copiar a receita e encontrar um R entre cada espaço, não pense que é um símbolo secreto cabalístico. Negativo! Foi a binga desta postagem que resolveu não dar espaço entre as linhas, então usei o recurso de pôr um R entre as linhas que eu queria espaço e o deixei na cor branca para não aparecer no blog. Desculpa, sim, mas foi o jeito.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Torta de Cebola da Mamãe

Na nossa família, a Torta de Cebola é uma das receitas mais famosas da mamãe. E, com razão, porque é gostosíssima e muito fácil de fazer. Nada de rolo para abrir massa! Ela é espalhada com as mãos diretamente no marinex.

Não sou de comer muito, mas quando faço esta torta, sou eu quem mais come. Aprecio-a imensamente. A cebola passada na manteiga perde aquele paladar forte e ácido e, associada ao queijo parmesão, fica com um sabor extraordinário. Espero que você também goste.
Ingredientes *Xícara: 190ml *Medidas rasas, salvo exceções explícitas
Massa
1. 3 ½ xícaras de chá de farinha de trigo
2. 2 ½ colheres de sopa de fermento em pó
3. 1 ½ colher de chá de sal
4. 3 gemas
5. 150g de manteiga
6. 150g de margarina
7. 6 colheres de sopa de leite gelado

8. 2 gemas para pincelar

Recheio
. 1kg de cebola (eram 750g, mas prefiro com mais cebola)
. 1 colher de sopa bem cheia de manteiga

. 150g de queijo parmesão ralado para polvilhar (uso Vigor; é menos salgado)

Preparo1. Descasque as cebolas e fatie em rodelas finas com uma faca de cozinha bem amolada. Ou use o processador com a lâmina de fatiar: corte as cebolas em 4 partes, colocando cada quarto, em pé, no tubo, e processando. RESERVE.

2. Peneire numa tigela funda somente 3 xícaras de farinha de trigo e o fermento. Misture bem. Abra um buraco no meio da farinha e acrescente os ingredientes 3 a 7. Misture inicialmente com uma colher de sopa e depois com as pontas dos dedos, delicadamente. Acrescente, aos poucos, a ½ xícara de farinha de trigo restante até que dê o ponto para espalhar no marinex. Se necessário, ponha um pouco mais de farinha de trigo. Deixe descansar ½ hora. Aproveite para fazer a etapa 3.

3. Numa panela bem grande esquente a manteiga e coloque as rodelas de cebola para refogar até ficarem transparentes, mas sem ficarem moles demais (objetivo: tirar a acidez). Espalhe as cebolas refogadas numa assadeira grande para esfriar e não cozinhar a massa.

4. Após a meia hora de descanso da massa: separe-a em duas porções iguais. Roube 1/5 de uma das massas e acrescente àquela que vai forrar a forma. Forre, com as mãos, um marinex retangular grande de 35x22x4cm com a parte maior da massa (não precisa untar). Distribua a cebola com ajuda de uma colher de sopa e polvilhe-a com o queijo parmesão.

5. Acenda o forno a 235º.

6. Com a parte menor da massa, faça rolinhos um pouco menor que 1cm de diâmetro em cima de uma bancada ligeiramente enfarinhada -- passe a mão para retirar o excesso de farinha --, e coloque o primeiro rolinho inclinado a 20-30º, cruzando o centro do marinex. Ponha os outros rolinhos paralelos a este e eqüidistantes entre si, em toda a extensão do marinex. Quando terminar, repita o processo, inclinando agora os rolinhos para o lado oposto, de forma a ficarem cruzados com os primeiros (veja foto 2). Se sobrar massa, faça bolinhas e ponha-as no centro da torta. Pincele com gema os rolinhos e as bolinhas de massa.

7. Leve para assar por 25 minutos ou até corar ligeiramente. Vire a parte de trás do marinex para frente aos 20 minutos, para corar por igual. Quando retirar do forno, ponha em cima de uma grade para amornar. Sirva quente ou fria. É excelente acompanhamento para carnes ou peixes assados.

Dica: se preferir a massa menos quebradiça, use somente 2 colheres de sopa de fermento em pó.

Nota: Antes de fazer a receita leia o tópico Medidas Utilizadas para que ela saia certinha.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Torta Três Queijos Fácil

Que tal uma receitinha fácil e gostosa para comer nestes feriados? Desejo um ótimo carnaval para todos vocês! Beijo fraternal, Laura Lucia

Créditos: Receita de Torta de 3 Queijos do blog Cozinhando o 7. Fiz  algumas alterações na receita original.


Receita de Torta Três Queijos Fácil

Ingredientes  *Xícara de chá: 200ml *Colher de sopa: 15ml *Colher de chá: 3ml

1) Massa
1. 3 ovos médios (150g sem casca) 
2. 450g de leite (465ml) 
3. 100g de manteiga derretida
4. 3 xícaras de chá de farinha de trigo (315g) (use farinha de trigo para bolo, a qual tenha 10% ou menos de proteína) 
5. 1 colher de sopa rasa de fermento em pó
6. 2 colheres de chá rasas de sal (colher de 3ml)
7. 50g de queijo parmesão ralado

2) Recheio
1. 150g de queijo do reino ralado 
2. 1 copo de requeijão cremoso (200g)
3. 200g de queijo mussarela ralado grosso ou fatiado e cortado em quadradinhos de           aproximadamente 1,5x1,5cm ou um pouco mais
4. Orégano para polvilhar 

Preparo
1. Acenda o forno a 190º.

2. Unte com um pouquinho de margarina o fundo de uma forma redonda de 26 x 5cm (usei da Ironte) e forre-o com papel manteiga; unte então o fundo e as laterais da forma com margarina. RESERVE.

3. Massa*: Numa tigela grande, peneire a farinha de trigo, o fermento e o sal; adicione o parmesão ralado e misture. No liquidificador: Bata os ingredientes líquidos 1 a 3 durante 2 minutos, em velocidade média. Verta, aos poucos, sobre os ingredientes secos, misturando com uma colher de pau ou um fouet (a massa é bem líquida). RESERVE.

4. Montagem: Despeje metade da massa na forma, espalhe o queijo do reino e, a seguir, distribua o requeijão cremoso às colheradas. Espalhe por cima a mussarela ralada e polvilhe o orégano (esqueci deste detalhe). (Tenha o cuidado de deixar os ingredientes do recheio afastados 1cm das laterais da forma, que é para as duas metades de massa se unirem nas bordas). Despeje por cima a outra metade da massa.

5. Leve para assar por aproximadamente 40 minutos. Aos 25 minutos gire a parte da frente para trás para corar por igual. Se necessário, aumente a temperatura para 220º no final, e deixe uns 5-10 minutos, somente para corar (eu aumentei). Quando retirar, ponha sobre uma grade, aguarde uns 3 minutinhos, desenforme e sirva a seguir. Fica super-saborosa!!!

*Da segunda vez que fiz, coloquei todos os ingredientes da massa no processador e liguei 2 minutos em velocidade baixa, usando a lâmina. Achei muito prático e a massa ficou bem mais delicada. No processador, pode-se colocar todos os ingredientes de uma só vez porque ele não bate a massa, ele corta-a; portanto, a formação de glúten é bem pequena e a massa fica muito leve. No liquidificador, o qual tem a função de bater, se os ingredientes da massa forem colocados todos juntos para bater, a massa ficará dura devido à formação de muito glúten. 






quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Torta de Pão de Queijo


Vi a receita de Torta de Pão de Queijo no blog Viver Aprendendo e separei-a para fazer no fim de semana. Na sexta-feira, desci para comprar os ingredientes num mercadinho que fica aqui perto e que, segundo uma ex-funcionária da mamãe, tem uma “fartura” danada: “Farta” tudo!!! Ponto pra ela, pois estava “fartando” mistura pronta para pão de queijo, ingrediente básico da receita. Então lembrei que havia copiado, há bastante tempo, uma receita de Pão de Queijo de Assadeira da Fla, do blog Arte na Cozinha, a qual daria certinho para substituir a mistura pronta. Comprei o polvilho azedo, o presunto, a mussarela e o parmesão ralado, e voltei pra casa para fazer a torta.

Quando abri a receita da Fla, vi que ela usara queijo meia-cura. Como eu só tinha parmesão, foi ele mesmo que usei. Apesar desta diferença, o resultado foi excelente. Ficou muito saboroso, e a prova é que três pessoas já saíram com a receitinha debaixo do braço... 

Posteriormente, fiz mais duas vezes usando também parmesão: gostei tanto que já entrou para o meu caderninho de “Receitas que Mais Faço”. Fla, obrigada pela deliciosa receita. Um grande beijo, Laura Lucia

Ingredientes (receita duplicada): *Colher de sobremesa: 7,5ml *Colher de café: 2ml
Massa
1. 6 ovos médios 
2. 250ml de leite
3. 300ml de óleo
4. 1 colher de café rasa de sal 

5. 500g de polvilho azedo

6. 2 colheres de sobremesa rasas de fermento em pó
7. 200g de queijo parmesão ralado (não dupliquei)(usei Vigor, Faixa Azul)

Recheio
1. 350g de presunto de peru fatiado
2. 350g de mussarela fatiada

Preparo
1. Acenda o forno a 200º.

2. Unte com óleo uma forma retangular grande de 40x26x3,5cm. 

3. Seque as fatias de presunto em papel-toalha. RESERVE.

4. No liquidificador: coloque os ovos, o leite, o óleo e o sal. Bata bem. Com o liquidificador ligado, adicione o polvilhe aos poucos e bata até obter uma mistura homogênea. Transfira o conteúdo para uma tigela grande e acrescente o queijo e o fermento, misture bem.
  
5. Verta um pouco menos da metade da massa na base da forma. Cubra com presunto e, por cima, distribua a mussarela, deixando-os um pouco afastados das bordas da assadeira. A seguir, verta o restante da massa e leve para assar por 35-40 minutos ou até as bordas ficarem ligeiramente coradas. Aos 25-30 minutos, gire a parte da frente da forma pra trás para corar por igual (forno a gás), aproveitando para furar com um garfo as bolhas de ar grandes que se formaram. Quando retirar, sirva imediatamente.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Torta de Presunto com Massa de Ricota


Interessei-me por esta torta pela massa ser de ricota, já que era bem diferente do comum. Fui bem sucedida na escolha, pois todo mundo gostou muito mesmo, tanto da massa como do recheio. Achei superengraçado o que aconteceu ao final do lanche. Cipriano (meu amor), que já havia tomado "umas" cervejinhas, olhou para o resto torta e perguntou-me: "Mas você vai guardar um pedacinho para amanhã, não é?"

Voltando à torta. Como escolhi um prato de servir quadrado, achei que ficaria bom se tivesse um enfeite qualquer num dos cantos. Então resolvi inaugurar o Frisador de Legumes da Brinox, que havia comprado alguns meses atrás, e fazer umas flores de cenoura.  Pela rapidez com que fiz as flores e enfeitei o prato (5 minutinhos), considerei que dá um ótimo acabamento, não é?

Créditos: Torta de Peito de Peru com Massa de Ricota
Revista Ana Maria Receitas, nº451, 2009, p.9

Foto 3a: Frisador de Legumes da Brinox;  Foto 3b: Girando a cenoura no frisador, como se fosse um apontador; Fotos 3c e 3d: Mostrando o miolo da cenoura, que é o que sobra dela após "apontá-la". 

Foto 4a: Embalagem do Frisador de Legumes; Foto 4b: Uma outra vista das flores de cenoura.

Ingredientes *Xícara de chá: 190ml *Colher de sopa: 15ml *Colher de chá: 2,5ml
A) Massa
1. 400g de ricota fresca amassada (passada na peneira)
2. 1 ovo
3. 2 pitadas de pimenta do reino branca
4. 2 colheres de sopa rasas de queijo parmesão ralado
5. 2 colheres de sopa rasas de farinha de trigo
6. 1 colher de chá rasa de sal (colher de 2,5ml)

B) Recheio
1. 500g de presunto de peru defumado cortado em cubos
2. ½ xícara de chá de azeitonas verdes picadas (80g: pesadas com caroços)

3. 4 ovos médios
4. 1 lata de creme de leite com soro
5. 100g de queijo parmesão ralado
6. 2 pitadas de pimenta do reino branca

7. Sal a gosto (não usei)

C) Decoração
. Frisador de Legumes da Brinox (foto 3a)
. 1 cenoura média não muito grossa
. 2 tomates cereja
. Folhinhas de hortelã

Preparo
A) Massa
1. Forre com papel alumínio uma forma redonda de fundo removível de 22x5cm. 

2. Em um prato grande, amasse a ricota com um garfo e passe-a numa peneira de metal de malha grande com ajuda de uma colher de sopa.

3. Numa tigela média, ponha os ingredientes 1 a 6, misture com uma colher, inicialmente, então amasse com as mãos até a massa ficar homogênea.

4. Acenda o forno a 200º.

5. Coloque metade da massa no fundo da forma e espalhe-a com os dedos. Espalhe a outra metade nas paredes verticais da forma, deixando-a 0,5-1cm abaixo da borda.

B) Recheio
1. Corte o presunto de peru em cubos de 1,5cm, aproximadamente, e coloque numa tigela grande. Lave as azeitonas e enxugue com papel toalha: pique-as, despeje sobre o presunto em cubos e misture. RESERVE.

2. No liquidificador: bata os ingredientes 3 a 6. Acerte o sal. Distribua os presunto/azeitonas sobre a massa de ricota e verta a mistura do liquidificador sobre eles.

3. Leve para assar por 45 minutos a 200º, aumente a temperatura para 220º e deixe mais 15 minutos* ou até dourar e o recheio ficar firme. Deixe esfriar, desenforme e sirva.

C) Decoração
.Descasque a cenoura com um descascador de legumes e ponha a ponta da mesma na parte mais aberta do Frisador de Legumes**. Gire, então, a cenoura para a direita, como se estivesse fazendo a ponta de um lápis (foto 3b).
Ao terminar, enrole uma tira de cenoura, fazendo uma flor e, no centro, após posicioná-la no prato de servir, ponha um tomatinho cereja. Faça a outra flor repetindo o mesmo procedimento. Distribua as folhas de hortelã da forma que mais lhe agradar e, pronto, seu prato está decorado!

*O tempo de forno não pode ser considerado com rigor, pois além de cada forno atingir temperaturas diferentes daquelas marcadas pelo termostato, estávamos todos na cozinha com a janela aberta para ventilar, e havia bastante vento, o que esfria qualquer forno a gás, como é o caso do meu. Na receita original, o tempo de forno era de 40 minutos, a 200º.

**Comprei o Frisador de Legumes da Brinox na loja Miame da Av. Santos Dumont, perto do trilho (Fortaleza-CE).

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Empadão de Queijo da Tia Maria


Este foi o primeiro empadão que fiz na minha vida, há muitos anos atrás. Relembro com imenso carinho o cuidado que tive ao manipular a massa com as pontas dedos, imitando a maneira de fazer de minha mãe, e o orgulho de ter acertado a receita... É, o tempo urge...

Tia Maria, irmã da mamãe, cozinhava superbem. Seu tempero (refogado) era único e muito gostoso. Não sei o que ela fazia de diferente, mas nunca comi absolutamente nada, feito por outra pessoa, que tivesse aquele sabor específico. Sinto saudades desse sabor...

Este Empadão de Queijo, receita dela, acabou passando para o domínio da família, por ser muito rápido e fácil de fazer, além de delicioso. Quando preciso de um acompanhamento “neutro” para peixes ou carnes, é a ele que recorro com grande assiduidade. Estou repassando a receita porque tenho certeza que você vai adorar e que ela ser-lhe-á útil, muitas e muitas vezes, na sua cozinha.



Ingredientes *Copo: 185ml *Colher de sobremesa: 7,5ml 
Massa 
1. 200g de farinha de trigo 
2. 70g de manteiga (usei Betânia) 
3. 70g de margarina (usei Primor)
4. 1 gema (de ovo médio)
5. 1 pitada de sal, só se a manteiga tiver pouco sal

Recheio
1. 5 ovos médios
2. 50g de queijo parmesão ralado (usei Vigor, pacote azul) 
3. 200g de queijo prato ralado (usei Regina)*
4. 1 ½ copo de leite integral (275ml) 
5. 3 colheres de sobremesa de manteiga derretida

Preparo
Massa
1. Numa tigela média, acrescente os ingredientes 2 a 5 e misture bem. Adicione a farinha de trigo aos poucos, misturando inicialmente com uma colher de sopa e depois com as pontas dos dedos, delicadamente. Sobra um pouco de farinha de trigo.

2. Acenda o forno a 200º.

3. Divida a massa em duas porções iguais. Espalhe metade da massa, com as mãos, no fundo de um marinex redondo de borda filetada de 25x4,7cm e a outra metade, espalhe na parede vertical.

Recheio
1. Na batedeira: na tigela grande, ponha os ovos e bata, em velocidade média/alta, até espumarem (uns 40 segundos). Adicione os queijos parmesão e prato ralados e bata até que o queijo prato fique esmigalhado**. Acrescente o leite e a manteiga e bata até incorporá-los. O recheio fica bem líquido, pois o queijo e os ovos só vão engrossá-lo quando assarem.

2. Verta no marinex com cuidado para não sujar as bordas da massa. Leve para assar durante 35 minutos ou até o recheio ficar firme e corado, e as bordas corarem ligeiramente. Aos 25 minutos, gire a parte da frente da forma para trás, para corar por igual (se usar forno a gás). Se subir bolha de ar, dê uma cortadinha de 5mm no centro dela com uma faca de ponta fina e afaste um pouco as bordas do corte  para que o ar preso saia e tenha por onde sair posteriormente***. Quando retirar, deixe amornar uns 10-15 minutos sobre uma grade e sirva. É excelente acompanhamento para carne ou peixes. Pode também ser servido frio, como lanche, sozinho ou com uma saladinha de folhas verdes.

*Quando faço para mim, uso 250g de queijo prato ralado porque fica bem mais saboroso para o meu gosto, entretanto, torna-se um pouco mais salgado e nem todo mundo gosta ou pode comer.

**Dei uma bobeira nesta etapa: sem perceber, reduzi a velocidade e acrescentei o resto dos ingredientes. Quando despejei o recheio na massa, era tarde --“Inês era morta”--, percebi muitas tirinhas de queijo prato quase inteiras. Na foto 2, da fatia do empadão, percebe-se que há bastante queijo na base, o qual não foi esmigalhado.

***Quem me deu essa dica foi Cipriano (meu amor), quando eu estava assando uma Torta de Pão de Queijo e reclamei que tanto furava as bolhas com palito, como elas voltavam a formar-se. Então ele me disse que furar com palito era um ato inútil, explicando que quando a massa descia, após expelir o ar, o buraco feito pelo palito se fechava e o vapor liberado enchia novamente a bolha. Nota dez para ele! 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Segredo das Massas de Torta e Quiche: Informações Complementares II : PREPARO DA MASSA



Tenho um amigo muito engraçado, que fazia arquitetura e adorava dizer que "todo arquiteto ou era doido ou era bicha." Mas que ele ainda não tinha se decidido... Depois destes estudos todos sobre massa de torta e quiche, pensei com os meus botões: "será que eu sou doida ou sou perfeccionista?" Também ainda não me decidi...

Este é o segundo post consecutivo sobre O segredo das massas de torta e quiche, onde será vista a importância científica do Preparo da Massa. Todas estas informações foram-me extremamente úteis, pois faço hoje qualquer massa com a certeza do sucesso, pois passei a conhecer a importância científica de cada ingrediente e de cada etapa da confecção, de forma que eliminei ao máximo os meus erros. Desejo que estas informações possam transformá-la numa expert em massa e que suas massas se tornem as mais perfeitas possíveis, de forma que todos lhe digam que NUNCA provaram nada nem parecido...
PREPARO DA MASSA
1.1. Mistura manual dos ingredientes: Ponha numa tigela todos os ingredientes secos (farinha, sal, açúcar etc.), misture-os e acrescente a gordura (manteiga, margarina, banha etc.) bem gelada e cortada em pedaços bem pequenos. Com as pontas dos dedos vá esfregando a gordura na farinha para que todos os grãos de amido fiquem envolvidos pela gordura, dificultando a formação de glúten. Acrescente o líquido aos poucos, preferencialmente borrifando-o com as pontas dos dedos e amassando a massa delicadamente, colocando apenas a quantidade de líquido suficiente para obter uma massa lisa e homogênea.

1.2. Mistura dos ingredientes no processador de alimentos: Empregue a lâmina de metal (faca) para tal tarefa e use sempre a manteiga (ou outra gordura) bastante gelada por causa do calor gerado pelo processador. Pique bem a manteiga. Utilize sempre a função pulsar, não somente na fase de misturar os ingredientes secos com a gordura, como em todas as fases de mistura da massa, e o faça rapidamente, várias vezes, em pulsos curtos de não mais que 20 segundos, para não supermanipular a massa (livro 2: p. 89). Os líquidos adicionados (água, leite, ovo, creme de leite etc.) também devem estar bem gelados. Assim que se formar uma bola maior de massa e mais uns 2 ou 3 pedaços menores em que você vê que os ingredientes foram misturados porque a massa tem aspecto homogêneo, pare de pulsar e forme uma única bola de massa unindo a bola maior e outros pedaços.

MEU: A minha experiência com o processador mostrou-me que em quantidades maiores que 300g de farinha, ele se torna primordial, e se você aprender que os pulsos curtos são realmente essenciais, obterá uma massa tão perfeita como jamais mãos humanas poderão fazer. Fico magoada porque vi “zilhões” de receitas que usavam o processador e apenas diziam para pulsar, pulsar, pulsar... Ninguém nunca me disse para usar pulsos curtos, de não mais que 20 segundos. Todas as minhas massas ficavam supermanipuladas. Não ficavam duras porque eram massas podres, isto é, tinham gordura demais para prevenir a formação de glúten. Só muito, mas muito recentemente mesmo, foi que encontrei a instrução correta de usar pulsos curtos. Coisas de aprendiz de cozinheira...

2. Descanso da massa na geladeira: Embrulhe a bola de massa em filme de PVC ou saco plástico hermético e leve para gelar por... Aqui “a porca torce o rabo”, pois o tempo prescrito varia de 1/2 a 1 hora de descanso na geladeira segundo a maioria dos autores, chegando alguns a dizerem que o ideal são 2 horas gelando, outro indicando 4 horas, enquanto ainda um outro preconiza que a massa deve ficar de um dia para o outro na geladeira (24 horas). Qual o tempo ideal? Resolvi testar para saber. Os detalhes da pesquisa encontram-se abaixo*. O tempo ideal, segundo a pesquisa que fiz, é de 2 horas de descanso na geladeira, o qual faz com que a massa, após assada, fique significativamente mais macia do que com os tempos menores de ½ e 1 hora, respectivamente.
O descanso na geladeira permite que a água (ou outro líquido que a contenha) penetre nos grãos de amido para formar algumas gomas que unam a massa, processo que se faz lentamente porque a manteiga dificulta a entrada da água nos grãos de amido. Gelar a massa após misturados os ingredientes faz com que muitas das cadeias de glúten que começaram a se enrolar, mas ainda não se formaram completamente, se desenrolem, não formando cadeias completas, que endurecem a massa. Daí porque se deve deixar a massa descansar na geladeira.


*TESTES DE DESCANSO DA MASSA NA GELADEIRA (feitos por mim): Usei a massa do Quiche de Palmito, Presunto e Mussarela, a qual acho um tanto dura, parecendo-me então mais fácil verificar sua maciez ao longo do tempo de descanso na geladeira. Empreguei todos os ingredientes gelados e usei o processador para a manipulação, seguindo as recomendações indicadas no item 1.2. Separarei a massa em 5 porções iguais, enrolei-as em filme de PVC e numerei-as, usando caneta permanente, com o tempo de descanso de cada uma na geladeira: ½ hora, 1 hora, 2 horas, 4 horas e 24 horas. O forno foi aceso a 220º, 15 minutos antes de completar o tempo de descanso de cada uma das massas, com exceção das duas primeiras, cujos tempos se superpunham (e eu só tenho um forno). Todas foram abertas com rolo diretamente sobre a bancada, tendo sido o rolo e a bancada ligeiramente enfarinhados. Cada uma assou durante 20 minutos e foram retiradas da assadeira e postas para esfriar sobre uma grade.


**RESULTADOS DAS MASSAS APÓS ASSADAS:
A maciez da massa que gelou ½ hora não se diferenciou daquela que gelou 1 hora. Já a que gelou 2 horas mostrou uma maciez significativa maior que as duas primeiras. Até para abrir com rolo ela foi muito mais fácil. A quarta massa, que passou 4 horas gelando, ficou ligeiramente mais macia que a que gelou 2 horas, contudo mostrando uma diferença muito sutil. E a de 24 horas? Fiquei na maior expectativa. Que decepção! Não ficou nada, nadinha, absolutamente nada mais macia que as que gelaram 2 e 4 horas. Então, por esta pesquisa, conclui-se que o tempo ideal de descanso de uma massa na geladeira é de 2 horas.



Obs:
Testei também a massa do Chef Álvaro Rodrigues que usei no Empadão de Frango com Catupiry. Com 2 horas de descanso de geladeira, realmente a massa, após assada, ficou bem mais macia que a que teve apenas 1 hora de descanso.


3. Forma correta de abrir a massa com o rolo: Achate a bola de massa com as mãos, deixando na forma de um disco espesso. Abra a massa sobre um pedaço de plástico ligeiramente enfarinhado e lembre-se de enfarinhar o rolo, ou abra-a entre dois plásticos ligeiramente enfarinhados*. Use pouca farinha nos plásticos para não alterar a composição da massa. Faça sempre movimentos com o rolo, do centro da massa para as bordas, usando pouca força. Alivie a pressão na borda para que ela não fique mais fina que o restante da massa. Pense no disco de massa como um relógio, então inicie pela posição de 12 horas, sempre partindo com o rolo do centro da massa para a borda. Vá para a posição 6 horas e repita o processo. Depois, coloque o rolo nas posições de 3 e 9 horas, fazendo a mesma coisa. Então, continue a abrir com o rolo como se fosse um relógio, levando para as diferentes horas (1, 7, 4 e 10 horas). Para melhor compreensão, veja “How to roll out perfect piecrust” no site Fine Cooking. Após abrir com o rolo e obter a espessura ideal, deixe a massa descansar 10-20 minutos antes de cortá-la no tamanho e forma desejados para a sua forma.

*Testei diversos tipos de plástico para abrir massa de torta. O que mais gostei foi daquele azul claro de 50 litros para lixo, bem fino, da marca Tubarão. Corto o fundo com tesoura, dobro ao meio no sentido do comprido, corto aí e depois corto as laterais, de forma que fico com 4 pedaços de plástico. Se a massa for sequinha (que não seja massa podre), uso somente um pedaço sobre a bancada e passo o rolo, ligeiramente enfarinhado, diretamente em cima da massa. Se a massa for mole (tipo podre), prefiro usar outro pedaço por cima, após enfarinhá-lo, e passo o rolo por cima do plástico.

4. Descanso da massa após abri-la com rolo: Ao abrir a massa com rolo, falamos em deixá-la descansar 10-20 minutos antes de cortá-la na forma e tamanho desejados. Caso não se permita o descanso, o estresse produzido pela ação do rolo fará com que ela contraia durante o cozimento e sofra alteração na sua forma. Se você abrir a massa e cortar imediatamente um círculo, quando assar, ela vai encolher e terá a forma de uma elipse (livro 1: p.178). A força empregada no rolo também é importante, pois gera estresse na massa que, ao assar posteriormente, haverá de encolher. Ao abrir a massa, empregue sempre pouca força no rolo para reduzir a quantidade de estresse introduzida na mesma. O descanso da massa após abrir com rolo também faz com que algumas proteínas que ficaram um tanto enroladas, relaxem e não formem glúten (livro 1: p.179).

5. Adaptação da massa à forma: No momento de adaptar o disco de massa (que foi aberto com o rolo e já descansou 10-20 minutos), tenha todo o cuidado de evitar esticar a massa para adaptá-la à forma, pois na hora de assar, as tensões serão liberadas e a massa sofrerá encolhimento em todos os locais onde foi esticada.

6. Cozedura da massa: Para assar a massa sem recheio e sem que o fundo forme bolhas de ar e levante, corte uma pedaço de papel-manteiga uns 6-8cm maior do que o diâmetro da forma, amasse na mão fazendo uma bola de papel de uns 5cm de diâmetro, desenrole e coloque no fundo da forma, com grão de feijão cobrindo toda a extensão do fundo da forma. Asse em forno pré-aquecido por 10 minutos, retire o papel e os feijões e leve para assar por mais 10 minutos, coloque o recheio e leve-o para assar junto com a massa. Caso o recheio não precise assar, deixe a massa 15 minutos no forno ou até corar. Se o fundo da massa levantar nos primeiros 10 minutos de cozedura, quando se retira o papel-manteiga e os feijões, fure a parte (ou partes) levantada com um palito de dentes, abaixe a massa com ajuda de um pano de prato, tape o furinho (ou furinhos) com um pouco de massa crua e leve novamente ao forno. Fica perfeito.


TÉCNICAS PARA REDUZIR O GLÚTEN E OBTER UMA MASSA MAIS MACIA

. Gelar a massa após misturados os ingredientes faz com que muitas das cadeias de glúten que começaram a se enrolar, mas ainda não se formaram completamente, se desenrolem, não formando cadeias completas, que endurecem a massa. Daí porque se deve deixar a massa descansar na geladeira.

. Use sempre água gelada para manter a manteiga e a farinha geladas. Use a menor quantidade de água possível. Água extra desenvolve glúten extra (livro 2: p.89).

. O ideal é que todos os ingredientes da massa estejam gelados e saiam diretamente da geladeira para a tigela ou processador. Por quê? Porque a baixa temperatura dificulta a formação das cadeias de glúten e teremos, então, uma massa mais delicada e macia (livro 1: p. 180).

. Em baixas temperaturas, as proteínas absorvem menos água. Assim, é de bom alvitre manter geladas tanto a farinha de trigo quanto a água a serem usadas. Claro, isto resultará em menor quantidade de glúten e numa massa mais macia (livro 1: p.178)

. Algumas receitas pedem para adicionar vinagre na massa. Qual o objetivo? Como o vinagre é ácido, ele age quimicamente sobre as cadeias de glúten, quebrando-as, e mantendo a massa, portanto, mais macia (livro 2: p.83).

. Algumas massas usam óleo, o qual envolve tão completamente os grãos de amido que não se desenvolvem as cadeias de glúten. Embora a massa resultante seja muito macia, ela é farinhenta e não, escamosa, como as que usam manteiga, margarina ou banha (livro 2: p.89).

. Lembre-se: não são só os ingredientes que geram cadeias de glúten, a maneira de manipulá-los contribui imensamente para uma maior ou menor formação dessas cadeias (livro 2: p.83). Quanto mais sovar a massa, maior quantidade de cadeias de glúten se formará e mais dura ela ficará no final.


DESCANSO DA MASSA PARA EVITAR CONTRAÇÃO NA COZEDURA
Ao abrir a massa com rolo, o ideal é deixá-la descansar 10-20 minutos antes de cortá-la na forma desejada, caso contrário, o estresse produzido pela ação do rolo fará com que ela contraia durante o cozimento e sofra alteração na sua forma. Se você abrir a massa e cortar imediatamente um círculo, quando assar, ela vai encolher e terá a forma de uma elipse (livro 1: p.178). A força empregada no rolo também é importante, pois gera estresse na massa que, ao assar posteriormente, haverá de encolher. Ao abrir a massa, empregue sempre pouca força no rolo para reduzir a quantidade de estresse introduzida na mesma. O descanso da massa também faz com que algumas proteínas que ficaram um tanto enroladas, relaxem e não formem glúten (livro 1: p.179).

Obs: No livro 1, o autor fala em deixar a massa descansar 10-20 minutos após misturá-la ou usar o rolo, mas não especifica que deva ser levada à geladeira, como muitas receitas recomendam. Recomenda, sim, que todos os ingredientes estejam gelados e sejam tirados diretamente da geladeira à proporção que deles se necessitar.


COMO OBTER UMA CROSTA DE TORTA RESISTENTE (FORTE)
Quando você deseja uma massa resistente após assada, embora não muito dura, use 1 ovo ou mais, dependendo da quantidade de massa desejada. A clara de ovo é composta por 90% de água e 10% de proteína (albuminas). Estas últimas, quando coagulam, reforçam a estrutura da massa. É uma boa pedida para quem quer uma crosta de torta forte, capaz de receber um recheio pesado sem rachar (livro 2: p.83).

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Você notará que aqui há muita repetição nos diferentes tópicos, mas fazem parte da didática que diz que nosso cérebro grava melhor aquilo que vê, lê ou ouve várias vezes. Desejo ter contribuído para aumentar seus conhecimentos sobre massa de torta /quiche e que eles lhe sejam úteis na sua prática.

E, se você sabe de alguma dica que aqui escapou, peço a gentileza de dividi-la conosco, está bem?

Abraço amigo e afetuoso, Laura Lucia

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Segredo das Massas de Torta e Quiche: Informações Complementares I : INGREDIENTES DA MASSA

Como achei que o post aqui publicado, Os Segredos das Massas de Torta e Quiche: Um Cientista na Cozinha, baseado no livro Um Cientista na Cozinha, do Hervé This, havia deixado algumas lacunas, mandei buscar dois livros de culinária científica na livraria virtual Amazon.com com objetivo de preenchê-las e termos mais embasamento para fazer nossas massas da forma mais perfeita possível, entendendo nossos acertos e simultaneamente corrigindo os erros de nossa prática.
Comprei The Science of Cooking (que vou chamar de livro 1), do Peter Barham, e The Inquisitive Cook (que chamarei de livro 2), de Anne Gardiner & Sue Wilson. Este último trata especialmente de massas para tortas doces, todavia muitos dos princípios são os mesmos para as tortas salgadas. Naveguei por diversos sites em inglês, além dos em português, e vi muitas dicas sobre como obter uma massa de torta perfeita, mas aqueles realmente significativos e de muita valia foram Whats Cooking América, Fine Cooking e Fantes. Penso que agora nossos conhecimentos ficarão mais completos, embora não totalmente completos, porque acredito que sempre teremos algo mais a aprender e que é isto que faz a vida ser interessante. No dia em que eu achar que aprendi tudo, cavo meu túmulo, deito-me dentro e ficarei “com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”, pois a vida deixará de ter seu sal, seu sabor, seu sentido...

Para que o assunto ficasse mais simples, dividi-o em Informações complementares I e II, e os publicarei em dois posts consecutivos. No primeiro, encontrar-se-á a importância científica dos Ingredientes da Massa e, no segundo, a importância científica do Preparo da Massa.
INGREDIENTES DA MASSA

1. Temperatura dos ingredientes: todos os autores são unânimes ao afirmar que a gordura (manteiga, margarina, banha etc.) e o líquido, ou líquidos, usados (água, leite, creme de leite, ovos etc.) devem estar bem gelados, objetivando reduzir a formação do glúten, o qual, na presença de líquido e de uma manipulação exagerada da massa, forma uma rede dura e elástica que é responsável por gerar uma massa de torta rígida. Outros autores são tão perfeccionistas que consideram que todos os ingredientes devem sair diretamente da geladeira para a tigela ou processador, além de gelarem a tigela e o garfo para misturar a massa. Por quê? Porque a baixa temperatura dificulta a formação das cadeias de glúten e o resultado final, logicamente, será uma massa mais delicada e macia (livro 1: p. 180). Se, ao contrário, você esquentar a massa passando para ela o calor de sua mão, ela ficará dura após assada, pois o calor facilita a formação de glúten.

2. Farinha de trigo: a quantidade de proteína na farinha de trigo é muito importante na qualidade final da massa. Quanto mais proteína, mais glúten e mais possibilidade de se obter uma massa endurecida. Leia sempre a tabela que vem impressa no saco de farinha de trigo, chamada de Informação Nutricional (foto 3) (livro 2: p.81). Ex: se para 50g de farinha há 5g de proteína, então a farinha contém 10% de proteína. Se estiver escrito que tem 6g de proteína numa porção de 50g de farinha, haverá 12% de proteína. A melhor farinha para uma massa de torta/quiche macia será aquela com menos proteína, a qual resultará em menor formação de glúten e, consequentemente, numa massa mais branda ou macia. Então, no caso das duas farinhas acima, a melhor escolha é a com 5g ou 10% de proteína. A percentagem ideal de proteína na farinha para massas de torta, segundo o Livro 2, é de 7,5-9%. Aqui em Fortaleza nunca vi. A de menor quantidade de proteína que encontrei tem 10% (5g numa porção de 50g).

Quando se usa uma farinha de trigo que contenha mais proteína (mais de 12-13%), para a massa sair mais macia deve-se aumentar a quantidade de gordura, pois isto faz com que se formem apenas cadeias curtas de glúten (livro 2: p.88), obtendo-se, assim, uma massa mais delicada e quebradiça.

3) Gordura (manteiga, margarina, banha etc.): Já dissemos que a gordura deve estar bem gelada, entretanto há quem diga que o ideal para reduzir a formação de glúten é usá-la congelada, embora um dos autores pesquisados afirme que a gordura congelada não é melhor do que a gelada. Bem, além de ter que estar gelada, ela deve ser cortada em cubos bem pequenos, tendo em vista que isto fará com que a gordura envolva mais facilmente os grãos de amido, processo este que é um redutor da formação de glúten. Em inglês, as gorduras são chamadas de “shortning”, que significa encurtamento, em virtude tanto de dificultarem a formação de glúten como de tornarem mais curtas as cadeias de glúten que conseguem formar-se, obtendo-se, conseguintemente, uma massa mais delicada, mais macia.

O tipo de gordura que você usa afetará tanto o sabor como a textura da massa, enquanto a quantidade afetará a sua maciez. Uma massa de textura escamosa, que é considerada a massa perfeita, se obtém quando pedacinhos não derretidos de gordura ficam entre camadas e camadas de farinha, de forma que quando a gordura é derretida pelo calor do forno, as camadas de farinha ficam superpostas uma sobre as outras, dando a tal textura escamosa da massa.

Algumas massas usam óleo, o qual envolve tão completamente os grãos de amido que não se desenvolvem cadeias de glúten. Embora a massa resultante seja muito macia, ela é farinhenta e não, escamosa, como as que usam manteiga, margarina ou banha (livro 2: p.89).

4) Líquidos: Têm a função de umedecer a massa e, se empregados na quantidade certa, formarão algumas gomas que darão liga à massa, porém, sem endurecê-la. A água é um dos líquidos bastante utilizados. Use-a sempre gelada e coloque apenas o suficiente para umedecer a massa sem ensopá-la. O ideal é colocar a água borrifando com as pontas dos dedos e amassando delicadamente, até perceber que a massa está úmida e homogênea. Água extra tende a gerar glúten extra e o resultado desagradável de uma massa dura. Tudo que foi dito acima é verdadeiro para todos os líquidos, quer seja água, leite, ovo, creme de leite ou qualquer outro ingrediente que contenha água ou leite em sua composição.

O ovo exerce várias funções sobre a massa: 1) a clara do ovo torna-a mais rígida e resistente, o que é bastante desejável quando se utiliza um recheio pesado, o qual não seria suportado por uma massa macia e quebradiça. A clara de ovo contém 90% de água e 10% de proteína. Se você utiliza dois ovos de 51g, estará inserindo na massa 91,8g de água (muita água, não é?) e 10,2g de proteína. A água da clara ajudará a fazer a união entre os grãos de amidos e formará mais glúten durante a manipulação, se esta for exagerada; já as proteínas -- que se coagulam com o calor -- ajudarão a fortificar a massa, a qual será bem mais forte do que aquela que leva somente água; 2) a gema tem uma quantidade mínima de água (7%), sendo desprezível a formação de redes de glúten quando ela é empregada como único elemento umedecedor. Observe que toda massa que leva somente gema é do tipo quebradiço ou podre, pois sua quantidade de água é muito pequena e suas proteínas, quando coaguladas pelo calor do forno, unem os grãos de amido de forma muito fraca, fazendo a massa ficar quebradiça.

O creme de leite constitui um ótimo umedecer. Como tem água e gordura em sua composição, será a proporção presente destes elementos que determinará se ele fará a massa ficar mais, ou menos, macia . Leia sempre o rótulo com as informações nutricionais. O creme de leite Itambé de caixinha, que é o meu preferido por ser mais espesso, tem 20% de gordura (por isto mesmo ele é mais espesso). Lá no rótulo você verá que em 15g de creme de leite há 3g de Gorduras Totais, isto é, 20%. Lógico que qualquer creme de leite fará uma massa menos dura do que aquela em que se usa apenas água, em virtude da gordura presente na sua composição. Quanto maior for a percentagem de Gorduras Totais no creme de leite, maior a maciez da massa, porque maior a quantidade de gordura, que é um dos redutores de glúten. Lembre-se que está subentendido uma delicada manipulação da massa. Se a massa for sovada, só um milagre a fará ficar macia. Bem, como milagres não acontecem na minha cozinha – até agora, gente! --, uso as pontas dos dedos quando manipulo uma massa que quero que fique macia, tratando-a com a gentileza devida a uma fina dama da mais alta sociedade londrina de antigamente (só sei delas por romances: eram hipermimadas pelos gentis cavalheiros de outrora – o que devia ser deliciosíssimo, imagino).

Outro líquido usado para umedecer a massa é a vodka. Composta de 60% de água e 40% de álcool, ela adiciona umidade à massa sem aumentar a formação de glúten em virtude do glúten não se formar na presença de etanol (álcool). Preconiza-se substituir metade da água da receita por vodka. Desta forma, uma massa que leva 120ml de líquido, em que metade dele é substituído por vodka, quando o álcool for evaporado durante o cozimento, a torta ficará com apenas 96ml de água, resultando numa massa bem mais delicada e macia (site Serious Eats).

Dois líquidos empregados, embora raramente, são o vinagre e o suco de limão, todavia não com a função de umedecer a massa. Qual o objetivo, então? Tornar macia a massa da torta. Como o vinagre e o suco de limão são ácidos, eles agem quimicamente sobre as cadeias de glúten, quebrando-as e mantendo a massa, portanto, mais quebradiça e macia (livro 2: p.83). De acordo com o site Diana’s Dessert, a quantidade ideal a ser usada para alcançar os objetivos acima preconizados, sem alterar o sabor da massa, é de 1 colher de chá (5ml) de vinagre ou de suco de limão para cada xícara de chá (240ml ou 120g) de farinha de trigo da receita.

Um grande abraço, Laura Lucia
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Sei que poucas pessoas se interessam por tantas pesquisas e detalhes, mas sou maníaca por informações científicas e adoro testá-las na cozinha. E, se minha famosa preguiça faz optar-me por receitas simples, não tenho preguiça alguma para testar algo que desejo. Sou capaz de despender dias e meses testando, e com o maior entusiasmo do mundo!!! Assim, quem achar cansativo tão detalhado post, passe por cima e vá direto para as receitas, que pode ser bem mais divertido. Todavia, para os que têm paciência e desejam aprofundar-se no assunto, vêm mais umas coisinhas interessantes por aí...

Aguarde o próximo post: O segredo das massas de torta e quiche. Informações complementares II: PREPARO DA MASSA

sábado, 19 de junho de 2010

Empadão de Frango com Catupiry: Massa do Chef Álvaro Rodrigues

Há muitos anos, venho procurando uma massa podre que realmente me agradasse o paladar e que eu, orgulhosamente, pudesse dizer: “esta foi a melhor massa podre que já comi”. Finalmente, depois de uma longa busca e de muitos e muitos testes, encontrei a mais perfeita de todas as massas podres, que é esta do Chef Álvaro Rodrigues com que fiz o Empadão de Frango e que tirei do blog Delícias da Priscila.

Sei que tem uns narizinhos torcendo ao ver que usei gordura vegetal, mas quero deixar bem claro que esta foi a primeira vez que entrou tal produto aqui em casa, cujo único objetivo era testar a massa com diversos tipos de gordura. E, para minha surpresa, o resultado foi fantástico. Os testes mostraram que ela ganha em todas as categorias (veja resultados dos testes abaixo da receita). Já sei, já sei, faz mal à saúde. Estou consciente disto. Raramente faço empadão, pois como vocês já sabem, minha preguiça na cozinha é infinita. Todavia, como só faço empadão uma vez perdida, decidi que o meu terá uma parte de gordura vegetal, pois, sem saber, devo comê-la em mil coisinhas quando me alimento fora de casa. Ora, então por que não dar-me esta alegria uma vez no ano!? Bom, penso assim, mas respeito e aplaudo quem pensa diferente, e escolhe uma das gorduras dos testes que seja mais saudável.

Quanto ao recheio, tirei as idéias dos sites Ilha.com e Bem Feitinho. A diferença daí é que passei os temperos no liquidificador, pois meu paladar me diz que empadão não deve ter pedaço algum de verdura ou tempero. Devo sentir o sabor do frango e do creme somente. É assim que aprecio, mas sinta-se a vontade de fazer como achar melhor.

Bem, o que desejo dizer é que alcancei a “minha” perfeição tanto na massa quanto no recheio. E não pensem que estou me gabando, apenas atesto a verdade do meu paladar, pois para dar este veredicto trabalhei feito uma condenada testando massa após massa e recheio após recheio, errando vezes sem conta antes de chegar ao “meu” ponto ideal.

Recomendo que você teste e depois diga-me o que achou. Sinta-se à vontade para usar qualquer combinação de gordura junto com a manteiga, com exceção da margarina culinária, a qual deixa a massa muito rígida. Leia os testes, tome sua decisão e veja que massa maravilhosa, impecável, perfeita... E o recheio não fica atrás...

Ingredientes *Copo: 185ml *Colher de chá: 2,5ml *Medidas rasas, salvo exceções explícitas

Massa podre

1. 500g de farinha de trigo gelada
2. 150g de gordura vegetal gelada (usei Primor) (ou margarina gelada e picada*)
3. 125g de manteiga gelada e picada
4. 60ml de água gelada
5. 2 colheres de chá rasas de sal
6. 3 gemas geladas

7. 1 gema + 2 colheres de chá de azeite + 2 colheres de chá de leite para pincelar (usei 1 gema + 1 colher de sobremesa de azeite para dar mais brilho, mas não fica legal, pois descola da massa)

Recheio
1. 1½ ou 2 peitos de frango com ossos e peles (1kg) (dá 500g de frango cozido e desfiado)
2. Sal a gosto
3. 3 folhas de louro grandes
4. 1 tablete de caldo de galinha
5. 1/2 litro de água
6. 2 pitadas de pimenta do reino branca

7. 3 colheres de sopas de azeite
8. 50g de bacon picado
9. 3 dentes de alho espremidos
10. 1 cebola pequena picada
11. 1/3 de pimentão vermelho picado
12. 100ml de molho de tomate (usei pomarola tradicional)
13. 1 pitada de pimenta do reino branca
14. 2 pitadas de noz-moscada
15. 2 colheres de sopa rasas de coentro picado
16. 1 ½ copo de caldo de frango coado
17. 5 colheres de sopa rasas de farinha de trigo
18. 50g de queijo parmesão ralado
19. 2/3 de lata de milho verde escorrida a água (150g)
20. Sal a gosto

21. 300g ou 3/4 de caixa requeijão cremoso Catupiry para cobrir o recheio depois de colocá-lo na forma

Preparo
Recheio (inicie por ele)
1. Na véspera: tempere os peitos de frango com alho, sal e as folhas de louro rasgadas. Se preferir, tempere no dia e deixe marinar 2 horas.
No dia: numa panela, ponha um pouco do meio litro de água e o tablete de caldo de frango. Deixe ferver e dissolver o tablete, ajudando com uma colher de pau. Acrescente o restante da água, a pimenta do reino e os peitos de frango com a parte carnuda virada para baixo. Quando ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar até ficarem macios (aproximadamente 50 minutos). Retire os peitos e ponha numa assadeira para amornar. Corte-os em 4 pedaços para esfriarem mais rápido. Remova os ossos e as peles e desfie não muito miúdo. Coe o caldo, deixe repousar e retire a gordura com uma colher. RESERVE.

2. Frite no azeite o bacon e depois refogue um a um: o alho, a cebola e o pimentão. Apague o fogo. Junte os ingredientes 12 a 17 e passe no liquidificador. Ponha esta mistura de volta na panela. Acrescente o frango, o parmesão e o milho, misture bem e deixe cozinhar por 2 minutos em fogo baixo após engrossar. Apague o fogo. Acerte o sal. Espalhe numa assadeira média para esfriar. RESERVE.

Massa
1. No processador, com a lâmina de cortar de metal: ponha bem distribuídos os ingredientes 1 a 6 e use a função pulsar, empregando pulsos curtos e rápidos (pressionando e soltando o botão pulsar) até obter uma bola maior e mais 1 ou 2 pedaços de massa menores, todos homogêneos, indicando que os ingredientes foram bem misturados (foto 3). Junte a bola maior e os pedaços, forme uma só bola, enrole-a em filme de PVC ou saco plástico hermético e deixe descansar 1 hora na geladeira.

2. Separe a massa em 3 partes iguais.

3. Espalhe com as mãos 1/3 da massa no fundo de uma forma redonda de fundo falso ou de abrir de 23,5x5,5cm. Com mais 1/3 da massa, forre a lateral da forma.

4. Acenda o forno a 235º.

5. Ponha o recheio sobre a massa e nivele com uma colher de sopa. Acrescente o Catupiry e também nivele-o com uma colher de sopa.

6. Abra a tampa da massa entre 2 pedaços de saco de lixo (uso Tubarão) ligeiramente enfarinhados. Aperte bem a massa da tampa com a da parede vertical para que a tampa não abra quando assar. Pincele toda a superfície com a gema misturada com azeite e leite.

7. Leve para assar por 50-55 minutos. Gire a parte da frente da forma para trás aos 35-40 minutos para corar por igual. Quando retirar, deixe amornar sobre uma grade. Desenforme morno, mais ou menos 1 hora após sair do forno, com ajuda de uma placa salva-bolo ou sirva com a parte de baixo da forma para evitar rachar a massa, que é podre (removi a parte de baixo da forma, após as fotos, usando a placa Salva-bolo. Houve quatro rachaduras verticais na massa lateral, sem muito comprometimento estético). Veja dica 2.

Dica 1: para facilitar o trabalho, você pode preparar o recheio de véspera e guardá-lo na geladeira em depósito tampado. No dia, basta dar uma amornada no microondas e deixar esfriar. Fica perfeito. Eu experimentei cozinhar o frango de véspera, então desfiar e preparar no dia. Não prestou: ficou com gosto horrível de frango velho.

Dica 2: Em outro empadão que fiz após este, deixei amornar 1 hora e fiz uma cinta com papel Duplex, de 5cm de altura, contornando toda a lateral. Uni as duas pontas com durex, cuidando para não apertar a massa, evitando rachá-la nesta hora. Depois usei a placa salva-bolo para passar para o prato de servir. Após 10 minutos, removi delicadamente os durex e a cinta, e o resultado foi espetacular: não houve uma única rachadura na massa!


*TESTES QUE FIZ COM A MASSA DO CHEF ÁLVARO RODRIGUES E OS RESULTADOS:
1. Com banha de porco: excelente textura, gosto fortíssimo de porco. Testei apenas a massa, mas como não suporto o sabor, não fiz nenhum empadão com ela. Não desenformei portanto.

Em 2, 3 , 4 e 5 troquei os 150g de banha por:

2. Gordura vegetal hidrogenada: excelente textura, excelente gosto. Desenforma razoavelmente. Sabor perfeito, pois sente-se um suave gosto de manteiga sem que fique muito forte.

3. Margarina (usei Delícia Supreme): boa textura, gosto bom, embora se perceba bastante o sabor da margarina**. Desenforma bem.

4. Margarina culinária: um tanto dura, gosto bom; não se sente o gosto de margarina. Desenforma superbem. A melhor de todas as massas para trabalhar. Fácil de abrir com rolo. Fica com uma aparência muito bonita, brilhante, mas é um tanto dura.

5. Manteiga (massa toda de manteiga): excelente textura, excelente gosto. Desenforma pessimamente, pois se quebra demais. Para mim, o gosto da manteiga fica forte demais.

**Obs 1.: Talvez o problema com a margarina seja meu. A Delícia Supreme é a que acho de sabor menos ativo. Realmente não gosto de nenhuma delas, embora procure usar nas receitas com ingredientes de sabores fortes, como o chocolate, que despistam o gosto da margarina, por uma questão de saúde.

Obs. 2: Na foto 2, vê-se que a parte da massa em contato com o catupiry tem cor mais escura, parecendo crua, mas não é. O que acontece com os recheios cremosos é que eles fazem a massa que ficam em contato com eles cozinhar, em vez assar, dando uma cor diferente a ela. A prova: a massa crua tem sabor forte de farinha de trigo, mas a tampa desta que fiz tinha sabor delicioso.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Torta Falsa de Siri

Tenho por hábito colocar nome nas coisas. Assim, quando não há nada programado para comer, olho o que tem na despensa e freezer, então invento ou procuro uma receita que se adapte aos ingredientes que tenho. Este é o “dia-do-pobre”.

Num desses “dias-de-pobre”, achei sardinha: imediatamente lembrei-me que tinha visto e copiado uma Torta Falsa de Siri à base de sardinha. Fiz a tal torta, mudando o azeite de oliva por azeite dendê. Todos aqui apreciaram muito, mas achei que uma lata sardinha fora pouco, e desta vez fiz a receita empregando duas latas grandes. Ah! Agora, sim, ficou do meu gosto.

A sardinha misturada com o repolho adquire um sabor que se assemelha ao do siri, enquanto o azeite dendê dá um toque especial, bastante agradável ao paladar. O resultado é um prato mui gostoso, barato e fácil de fazer, que pode ser servido sozinho como lanche, como prato principal num almoço descontraído ou como acompanhamento de outros pratos numa refeição mais elaborada.

Créditos: Petit Chef


Ingredientes *Colher de chá: 2,5ml *Colher de sopa: 15ml

1. 1 repolho médio cortado em tirinhas bem finas (1,1-1,2kg)

2. 2 colheres de sopa de azeite dendê

3. 3 dentes grandes de alho espremidos

4. 1 cebola média cortada em cubinhos

5. 1/2 pimentão médio cortado em cubinhos

6. 2 pitadas de pimenta do reino

7. 2 colheres de chá rasas de sal

8. ¼ de molho médio de coentro

9. 1 vidro pequeno de leite de coco (200ml)

R

10. 2 colheres de sopa de azeite dendê

11. 1 colher de sopa cheia de farinha de trigo

12. 2 latas de sardinha grandes, escorrido o óleo

R

13. 4 claras em neve (de ovos grandes)

14. 4 gemas (de ovos grandes)

15. Queijo ralado para polvilhar (usei 200g de queijo coalho maturado)

R

Preparo

1. Numa panela bem grande, faça um refogado com o azeite dendê. Frite o alho até dourar, acrescente a cebola e o pimentão e frite até a cebola ficar transparente. Adicione a pimenta do reino e o cheiro verde, e misture. Junte o repolho e refogue até amaciar. Acrescente o leite de coco e cozinhe até reduzir bastante o molho. Deve ficar apenas úmido.

2. Ponha o azeite dendê e misture. Tire a panela do e adicione aos poucos a farinha de trigo, espalhando-a com as mãos, como se fosse um chuva de pó. Misture bem, volte a panela ao fogo e deixe cozinhar 1-2 minutos

3. Adicione a sardinha bem esfarelada e misture bem. Acrescente o sal e prove para ver se está ao seu gosto. RESERVE

4. Acenda o forno a 250º.

5. Unte com margarina um marinex retangular médio de 30x20x4cm.

6. Após 10 minutos de aquecimento do forno: bata as claras em neve bem firme na batedeira, acrescente as gemas e uma pitada de sal. Bata mais.

7. Junte metade dos ovos batidos ao repolho refogado. Ponha esta mistura no marinex e regularize com uma colher. Espalhe por cima o restante dos ovos e polvilhe com queijo ralado. Leve ao forno por 20 minutos ou até dourar. Sirva em seguida e veja que coisinha saborosa você acabou de fazer.

sábado, 3 de abril de 2010

O Segredo das Massas de Torta e Quiche: Um Cientista na Cozinha

Roberto, meu irmão do meio, e eu temos grande curiosidade por assuntos que nada têm a ver com nossas profissões, medicina e odontologia, respectivamente. Rimos muito quando falamos da nossa mais nova moda em questão de conhecimentos inúteis – é assim que os chamamos --, e sempre fazemos questão de lembrar, com orgulho, que herdamos esta característica do papai: um curioso de carteirinha.

A minha lista dos últimos anos inclui os temas mais díspares: filosofia, matemática, física, psicologia comportamental e cognitiva, felicidade: sob a ótica da filosofia e da psicologia positiva (esta custou-me 12 meses e mais de R$5.000,00 em 2005), teoria da evolução, neurociência, genética, máximas, auto-ajuda, do-in e mais outras coisinhas aparentemente prescindíveis. No entanto, tenho aprendido grandes lições e as aplicado na vida, estudando estes assuntos.

Nos últimos meses, resolvi que tinha de aprender a fazer boas massas de quiche e de torta salgada. Não ria, mas estou hoje exatamente com 19 massas testadas!!! Obtive quatro massas excelentes: duas de quiche e duas de torta salgada, e 15 belas porcarias! Então decidi usar a matemática para compreender o que fazia uma boa massa. Somei, subtraí, dividi, multipliquei, usei proporção, regra de três e... nada!

Foi quando lembrei que, em 1996, comprei o livro Um Cientista na Cozinha, do francês Hervé This, que à época serviu-me apenas para satisfazer a curiosidade. Pois não é que lá estavam os segredos -- que o “animal” aqui tentou desvendar gastando seus dois neurônios (o tico e o teco) com operações matemáticas! --, cujo mistério se encontrava na química e física, e nada tinha a ver com Pitágoras.


Depois dos prolegômenos (crise de intelectualidade, pode ter certeza!), vamos ao que interessa. Tentarei simplificar ao máximo a explicação das causas científicas que nos levam a obter uma massa de torta/quiche boa (macia) ou ruim (dura), segundo o livro Um Cientista na Cozinha*:

1. As massas de torta/quiche são feitas basicamente com farinha de trigo, gordura e água (ou leite);

2. A farinha de trigo é composta na sua maior parte por carboidratos, que são os grãos de amido (75%), e por proteínas chamadas glúten (15%);

3. A massa mais simples que existe é feita apenas com farinha de trigo e água. Quando estes dois ingredientes são misturados, forma-se um material com consistência de uma goma espessa que não adere aos dedos. Por que se forma esse tipo de material? Porque a água se introduz entre os grãos de amido da farinha, penetra neles, e os liga fortemente entre si. Quando se leva ao forno esta massa, a temperatura da água aumenta e os grãos de amido incham, formando uma goma (lado esq. da foto 2). A água aos poucos se evapora e essas gomas se soldam umas às outras, originando no final do cozimento um bloco único de massa dura (o bolachão assassino!);

4. Quando se acrescenta manteiga (ou outra gordura: margarina, banha etc) e água à farinha, os grãos de amido ficam envolvidos pela manteiga, portanto separados uns dos outros. A água e a farinha ainda vão formar uma goma (ligação por atração entre os grãos), mas a manteiga separa as gomas individuais não deixando que haja uma forte ligação entre elas e, consequentemente, a massa fica mais mole, mais flexível (lado dir. da foto 2).

Quando se leva esta massa ao forno, a água gradativamente se evapora, mas como as gomas individuais ficaram separadas pela manteiga, ela se torna quebradiça, isto é, não deixa formar o bloco duro de goma resultante da união forte de todos os grãos amido da massa.

Após assada e fria, a massa continua quebradiça (por isto chamada de massa quebrada ou podre) porque a união entre as gomas individuais é feita pela manteiga solidificada, um tipo de ligação ou união muito fraca;

5. Ao terminarmos de fazer uma massa para torta/quiche, a qual leva manteiga e água (ou leite), devemos deixá-la repousar por um motivo muito simples: para permitir que a água migre entre os grãos de amido, e então penetre neles para formar diversas gomas individuais antes de ir para o forno e para fazer os grãos incharem quando receberem o calor do forno. Lembre-se: a manteiga que você colocou está envolvendo todos os grãos de amido, dificultando a penetração da água nestes grãos. Assim, faz-se necessário dar um tempo para a água ultrapassar a barreira de manteiga e penetrar nos grãos: que é o tal descanso ou repouso da massa tão aconselhado nas receitas.

Obs.: Ele não fala nada sobre a necessidade de pôr a massa na geladeira durante o descanso, recomendação que vemos frequentemente nas receitas, nem sobre quanto tempo de repouso ou descanso é preciso.

6. Devemos nos lembrar que a farinha também contém glúten, uma proteína que é ávida por água e que, na sua presença, forma uma rede superdura, embora elástica. Estas redes são criadas quando a massa é sovada. Quanto mais sovada for uma massa, mais dura ela ficará porque o glúten se coagula e forma as tais redes elásticas e duras.

Se você quer uma massa de torta supermacia e quebradiça, primeiro misture bem a farinha de trigo e a manteiga, envolvendo completamente os grãos de amido com esta gordura, e só depois acrescente a água e os outros ingredientes. Como os grãos de amido ficarão envolvidos pela manteiga, a entrada da água será dificultada, formando apenas as gomas necessárias. Se o amassamento for limitado (só o suficiente para misturar os ingredientes), não se criarão as redes de glúten, as quais fariam a massa de torta ficar dura. Lembre-se: sovar endurece a massa. Daí por que nas massas quebradas ou podres recomenda-se amassar delicadamente os ingredientes com as pontas dedos, isto é, não sová-las.

RESUMO:

1) Massa de torta/quiche supermacia e quebradiça obtém-se misturando primeiro a farinha de trigo e a manteiga (ou outra gordura) e só depois adicionando a água e os outros ingredientes. Por quê? Porque os grãos de amido envolvidos pela manteiga, quando entrarem em contato com a água, formarão somente gomas individuais, as quais não poderão se ligar fortemente -- criando uma massa dura durante o cozimento --, porque a manteiga impede essa ligação.

2)Deve-se deixar repousar a massa para que a água migre entre os grãos de amido e depois penetre nos mesmos, de modo a poder formar-se uma goma a frio e também para poder inchá-los durante o cozimento. Este processo demora porque a manteiga dificulta a passagem da água.

3) Para a massa ficar macia e quebradiça, amasse delicadamente com as pontas dos dedos, evitando sová-la, pois sovar faz o glúten coagular e formar redes duras e elásticas que enrijecem a massa.

4) Conclusão: o modo de fazer uma massa de torta/quiche é fator determinante na qualidade final da mesma.

Como sou igual a São Tomé, que só acredito vendo, testei a massa do Quiche de Palmito, Presunto e Mussarela fazendo-a de duas maneiras:

1ª maneira: colocando todos os ingredientes numa tigela, manipulando delicadamente com as pontas dos dedos, embrulhando em saco plástico hermético e deixando descansar 30 minutos na geladeira. Afinal, abrindo com rolo e assando em forno pré-aquecido a 235º por 2o minutos.

2ª maneira: colocando primeiramente a farinha de trigo e a manteiga numa tigela, misturando-as bem até obter uma farofa e só então acrescentando os outros ingredientes. No resto, fiz tudo igual ao da primeira maneira.

RESULTADO: A massa feita da 2ª maneira ficou muito mais macia que a feita da primeira maneira, o que significa que o dr. Hervé This realmente está certo, e que a maneira de fazer uma massa influencia diretamente na qualidade final da mesma.

-- Nasci professora, nasci para aprender e ensinar. Se você aprendeu algo com este post, minha gratificação será imensa. Se quiser algum esclarecimento, estou à sua disposição e o farei com o coração cheio de alegria.

Um grande abraço, Laura Lucia

Obs.: Sou totalmente responsável pela interpretação livre que dei a este capítulo do livro e por alguns enxertos que fiz, assumindo todo e qualquer erro a este respeito.

*Livro: Um Cientista na Cozinha, ed. Ática, 1996, p. 171-176